domingo, 1 de abril de 2012

Filhos


Nasce a criança, trazendo consigo o patrimônio moral q lhe marca a 

individualidade antes do renascimento no plano físico; no entanto, receberá 
os reflexos dos pais e dos mestres q lhe imprimirão à nova chapa cerebral 
as imagens q, em muitas ocasiões, lhe influenciarão a existência inteira.
Indiscutivelmente, a instrução espera-lhe o espírito em nova fase, 
enriquecendo-lhe o caminho nesse ou naquele mister; contudo, importa 
reconhecer q a palavra escrita, em confronto com a palavra falada ou com 
o exemplo direto, revela poderes d repercussão menos vivos, mormente 
quando torturada entre os preconceitos da forma gramatical.

E que a voz e a ação prática jazem impregnadas do magnetismo indutivo 
q se desprende da reflexão imediata, operando significativas transformações 
para o bem ou para o mal, segundo a natureza q lhes personaliza as 
manifestações.

As crianças confiadas na Terra ao nosso zelo são portadoras d aparelhagem 
neurocerebral completamente nova em sua estrutura orgânica, à feição d 
câmara fotográfica devidamente habilitada a recolher impressões. A objetiva, 
q na máquina dessa espécie é constituída por um sistema d lentes apropriadas, 
capazes d colher imagens corretas sobre recursos sensíveis, é representada 
na mente infantil por um espelho renovado em q se conjugam visão e observação, 
atenção e meditação por lentes da alma, absorvendo os reflexos das mentes q a 
rodeiam e fixando-os em si própria, como elementos básicos d Conduta.

Os pequeninos acham-se, deste modo, àmercê dos moldes espirituais dos q 
lhes tecem o berço ou q lhes asseguram a escola, assim como a argila frágil e 
viva ante as idéias do oleiro.

Não podemos,pois,esquecer na Terra q nossos filhos,embora carreando consigo 
a sedimentação das experiências passadas, em estágios anteriores na gleba 
fisiológica,são Companheiros q nos retomam transitoriamente o convívio,quase 
sempre p/ se reajustarem conosco, aos impositivos da Lei Divina, necessitados 
quanto nós mesmos, d provas e ensinamentos, no q tange ao trabalho da regene-
ração desejada.

Excetuados aqueles q transcendem os nossos marcos evolutivos, à face da missão 
particular d q se investem na renovação do ambiente comum, todos eles nos sofrem 
os reflexos, assimilando impressões estranhamente  perduráveis q, às vezes, lhes acompanham os passos desde a meninice até a morte do corpo denso.Tratá-los à 
conta d enfeites do coração será induzi-los a funestos enganos, porquanto, em se 
tornando ineficientes para a luta redentora, quando se lhes desenvolve o veículo 
orgânico facilmente se ajustam ao reflexo dominante das inteligências aclimatadas 
na sombra ou na rebeldia, gravitando p/ a influência do pretérito q mais deveríamos 
evitar e temer.


É assim q toda criança, entregue à nossa guarda, é um vaso vivo a arrecadar-nos 
as imagens da experiência diária, competindo-nos, pois, o dever de traçar-lhe 
noções d justiça e trabalho, fraternidade e ordem, habituando-a, desde cedo, à 
disciplina e ao exercício do bem, com a força d nossas demonstrações, sem, 
contudo, furtar-lhe o clima de otimismo e esperança. Acolhendo-a, com amor, 
cabe-nos recordar q o coração da infância é urna preciosa a incorporar-nos os 
reflexos, troféu q nos retratará no grande futuro, no qual passaremos todos 
igualmente a viver, na função d herdeiros das nossas próprias obras. 


Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: Pensamento e Vida




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